Colecção Tratuário

tratuario4       Tratuário funchalense. © Fotografia de A.S.

            Tratuário [trɐtwarju] tem a sua origem em trottoir [tʀɔtwaʀ] do francês, nome masculino, derivado do verbo trotter (“ir a trote”, “andar com pequenos passos”, “andar rapidamente de um lugar para outro”, “correr”). Palavra atestada nesta língua desde o século XVI, destaca-se ainda, na sua etimologia, o uso da expressão “être sur le trottoir” (1577), com o significado “ser tema de conversa”; “se mettre sur le trottoir”, com o sentido figurado de “produzir-se”, “mostrar-se” (1592); ou para designar “a pista sobre a qual se fazem trotar cavalos”(1660). A referência a “passeio” surge já no século XVIII. Pertence, pois, à classe dos nomes de passagem, caracterizados pelas correlações “deslocação” e “ao lado de” uma via urbana. No léxico regional madeirense, tratuário surge como palavra peregrina e empréstimo, acompanhada de uma outra: trotoário. Estas duas formas gráficas revelam opções de adaptação distintas: a primeira conforma-se à fonologia do português; na segunda, reconhece-se uma aparente idêntica base derivacional trot– com diferentes realizações fonéticas nas duas línguas em relação. É provável que o momento em que passou a ser utilizada na Madeira se situe nos finais do século XIX, altura em que se procede à edificação e calcetamento da praça do Rossio, em Lisboa, em calçada-mosaico, e em que, nas ilhas, o seixo rolado é utilizado no tratuário urbano para os peões. (Aline Bazenga – UMa-CIERL)

Assumindo a herança etimológica e histórico-cultural do lexema Tratuário, que desde logo aponta para a dimensão glocal que marca e marcou a cultura madeirense, a presente colecção apropria-se desse nome, justamente por seleccionar como objecto central (tema de conversa) textos, autores e fenómenos do sistema eco-sociocultural insular, assumindo como missão o apoio à divulgação e ao estudo (dar a ver) dessas textualidades e fenómenos, num percurso (passeio, por vezes árduo e sempre implicado no contexto local ou dos seus locais) que acompanhe as muitas itinerâncias que teceram a cultura na/da Madeira.

Cronograma provisório da Colecção:

Coord. Ana Salgueiro

N.º1 – Ana Salgueiro e Paulo Miguel Rodrigues, coord. (2015), Cabral do Nascimento. Escrever o mundo por detrás de um monóculo e a partir de um farol, Funchal: Imprensa Académica.

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N.º2 – Ana Salgueiro e Paulo Miguel Rodrigues, coord. (2016-2017), I Guerra Mundial na Madeira:representações e (re)mediações, Funchal: Imprensa Académica. (em preparação)

N.º 3 – Giovani Ricciardi e Helena Rebelo, coord. (2017-2018), Biografia e Criação Literária: entrevistas a escritores madeirenses,  Funchal: Imprensa Académica. (em preparação)

N.º 4 – Carlos Valente, coord. (2018-2019), Ensino Superior das Artes Visuais na Madeira, Funchal: Imprensa Académica. (em preparação)

N.º 5 –  Rui Guilherme Silva, Eduardo Pires e Ana Salgueiro, coord. (2019-2020), Educação Literária e Didatização da Literatura Madeirense (título provisório),  Funchal: Imprensa Académica. (em preparação);

N.º6 – Aline Bazenga, Celina Martins e Naidea Nunes coord. (2020-2021), Atlântico Lusófono. Estudos Interdisciplinares,  Funchal: Imprensa Académica. (em preparação).

N.º 7 – Leonor Martins Coelho e Thierry Proença dos Santos (?), A Construção da Madeira Cultural: textos e contextos, Funchal: Imprensa Académica. (em preparação)

N.º 8– Ana Salgueiro e Paulo Miguel Rodrigues (?),  A obra de Luiz Vieira de Castro, Funchal: Imprensa Académica/CIERL-UMa. (em preparação)

 

+ info. sobre o projecto Tratuário. Percursos para a História da Cultura Madeirense

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