EM LEGÍTIMA DEFESA. ENCONTROS COM POESIA, MÚSICA E OUTRAS ARTES NA MADEIRA

1.ª edição – Março-Maio de 2016


Enquadramento do programa formativo: 
Núcleo de Investigação Tratuário. Percursos para a História da Cultura Madeirense [Linha de Investigação K I N E S I S] 

Autoria: Ana Salgueiro

Sinopse: Recorrendo às palavras de Alberto Pimenta, quando o poeta afirma que “Não há opressão maior e mais infame que a da língua”, Rosa Maria Martelo, em 2013, lembrava quão relevante pode ser a poesia no desenvolvimento de “mecanismos de resistência que assentam na consciencialização deste facto” (Martelo, 2013: 37). Salientava, porém, que “no mundo contemporâneo”, dominado pelos “trilhos da obediência”, da aceleração e do superficial, era notória a “resistência aos usos que a poesia de tradição moderna reivindicou”, nomeadamente o do exercício autorreflexivo que se interroga sobre os valor(es), o(s) sentido(s) e o poder da palavra, assumindo-se, desta forma, como prática discursiva de resistência: resistência à crise da palavra e em particular à crise da palavra poética; mas também, por essa via, resistência a e interrogação sobre muitas outras crises que abalam o mundo contemporâneo. Neste quadro conceptual, a poesia é não só entendida como discurso artístico autorreflexivo, mas também como processo de construção de mundos (ways of worldmaking, como diria Nelson Goodman), mesmo quando esse discurso poético não assume um perfil panfletário de denúncia ou opta por processos de referencialidade não denotativa.

Pese embora o crescente protagonismo que a poesia tem vindo a assumir nos últimos anos, seja por via de editoras alternativas ou publicações periódicas especializadas e orientadas para a edição, a divulgação e o estudo desta prática discursiva, seja pelo aparecimento de diversas iniciativas culturais em que a poesia assume destaque, associada a outras manifestações artísticas, sobretudo de carácter performativo (p. ex.: festivais de poesia; eventos de poetry slam; etc.), na verdade, como também notavam Rosa Maria Martelo e Alberto Pimenta, a poesia é um fenómeno discursivo marginal, em grande parte por esse seu perfil de inquieta e recriativa resistência quer às normas e convenções (linguísticas, mas não só), quer aos valores dominantes num dado sistema eco-sociocultural.

O programa formativo que aqui se apresenta, intitulado Em Legítima Defesa. Encontros com Poesia, Música e outras Artes na Madeira, é promovido pelo núcleo de investigação Tratuário. Percursos para a História da Cultura Madeirense da Linha de Investigação K I N E S I S e desenvolve-se no âmbito do Programa de Formação Contínua do UMa-CIERL – Cursos Livres e de Pós-Graduação, Seminários e Worshops, partilhando com Alberto Pimenta e Rosa Maria Martelo (entre muitos outros) esses pressupostos conceptuais e críticos relativamente à poesia e ao seu lugar no mundo contemporâneo.

Tomando como objectos de estudo e de divulgação fenómenos poéticos pertencentes ao sistema cultural madeirense, manifestamente desconhecidos nas próprias ilhas e em contextos extra-insulares, este programa formativo procurará estimular a reflexão quer sobre o sistema cultural madeirense, quer sobre o encontro da poesia insular com outras manifestações artísticas, procurando debater, entre outras, as seguintes questões:

(1) Qual o papel atribuído à poesia (e com esta, a outras artes) nas sociedades contemporâneas e em particular qual o papel que a poesia madeirense assume no sistema cultural do arquipélago?

2) Até que ponto esse estatuto marginal da poesia explicará ou até justificará a marginalização que lhe tem sido conferida na contemporaneidade, marginalização essa que, no caso madeirense, parece agudizar-se, dada a sua pertença a um sistema cultural periférico?

(3) Qual a legitimidade ética e quais as razões e consequências culturais, sociais e até políticas implícitas na marginalização da poesia no sistema cultural madeirense?

(4) Quem fala e o que diz do mundo e da Madeira, a poesia insular?

Recorrendo à citação tomada de empréstimo ao poema “Ofício de cantar” de José de Sainz-Trueva, recentemente musicado pelos Vértice. Em legítima defesa da poesia insular, o programa Em Legítima Defesa, promoveu a sua 1.ª edição, com o subtítulo Encontros com Poesia, Música e outras Artes na Madeira, entre 29 de março e 7 de maio de 2016, tendo sido validado pela SRERH como horas de formação.

Com horário pós-laboral, as sessões do programa integraram várias modalidades de trabalho: conferências por oradores convidados, cujo trabalho incidiu sobre a obra de poetas seleccionados e/ou sobre temas abordados por essa poesia; workshops com investigadores e/ou artistas; conversas com poetas, artistas ou instituições ligadas à cultura e às artes na Madeira; concertos de música; visitas a museus e instituições de caráter cultural e/ou social.

INSCRIÇÕES

25 vagas (5 vagas destinadas a alunos da UMa)

» Inscrições mediante envio de e-mail para ana.salgueiro@staff.uma.pt com os seguintes dados:

  • nome completo;
  • n.º telefone e  e-mail;
  • instituição/empresa a que está associada(o);
  • 1 motivo que o/a leva à inscrição neste programa formativo

Taxa de inscrição :

  • geral – 15 €
  • alunos da UMa – isentos
  • pagamento mediante transferência bancária para a conta com:
    • IBAN: PT50.0033.0000.00008562288.05
    • SWIFT/BIC: BCOMPTPL
  • após boa cobrança, os formandos deverão remeter o comprovativo de pagamento para a caixa de e-mail da coordenação organizadora (ana.salgueiro@staff.uma.pt)
  • só após envio desse documento se efectiva a inscrição dos formandos.
Poetas Seleccionados:

  • António Aragão
  • Avelino F. Costa
  • Cabral do Nascimento
  • Herberto Hélder
  • José Agostinho Baptista
  • José de Sainz-Trueva
  • José Tolentino Mendonça
  • Manuel Gonçalves, o Feiticeiro do Norte
  • Teresa Jardim

 

 Comissão Organizadora:

  • Ana Salgueiro (coord.)
  • Catarina Teixeira
  • Rui Guilherme Silva
  • Tozé Cardoso.
 Destinatários:

  • Docentes da RAM;
  • Agentes ligados ao sector da Cultura e do Turismo;
  • Alunos e investigadores da UMa.
 Instituições/Organismos parceiros e colaboradores:

Patrocínios: Empresa de Cervejas da Madeira

 

Formadores:

Outros colaboradores no programa:

Cronograma:

  • Período de inscrição: 4 de Março a 2 de  Abril de 2016
  • Período de formação: 29 de Março a 7 de Maio de 2016
    • Programa já disponível aqui 
Locais:

  • Teatro Municipal Baltasar Dias;
  • Arquivo Regional e Biblioteca Pública Regional da Madeira
  • Reitoria da UMa;
  • MUDAS. Museu de Arte Contemporânea da Madeira;
  • Museu Henrique e Francisco Franco;
  • ruas do Funchal
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